Albon faz balanço positivo de ano na Williams: “Com fome de mostrar meu valor”

Em longa entrevista ao RaceFans, Alexander Albon analisou sua ressurreição pela Williams em 2022 depois de um período difícil...

revistabaiacu - 6 de agosto de 2022
Albon faz balanço positivo de ano na Williams: “Com fome de mostrar meu valor”



Alexander Albon está de bem com a vida após a renovação de contrato plurianual com a Williams na Fórmula 1, anunciada na última quarta-feira (3). O anglo-tailandês de 26 anos vive uma temporada de ressurreição em 2022, após ser escanteado na Red Bull ao final de 2020 e emprestado ao DTM em 2021.

São três pontos somados com um FW44 que foi mal nascido, mas que Alexander consegue dar ritmo durante a corrida, a ponto de conquistar o décimo lugar na Austrália e um nono lugar em Miami. Em entrevista ao RaceFans, o piloto da Williams fez um balanço desta primeira parte da temporada bem-sucedida em 2022 e afirmou que o aprendizado obtido com os percalços na carreira deu a ele uma visão mais egoísta.

Para Albon, sua rápida ascensão à Red Bull após as dificuldades vividas por Pierre Gasly, é inversamente proporcional a uma F1 que não tem o melhor dos ambientes mais estimulantes para os profissionais recém-chegados ao grid. “Sei que há esse sentimento que subi muito cedo para o time principal. De fato, não tive um apoio da direção no meu potencial. É uma posição complicada, tudo é muito glamoroso. Você quer fazer a coisa certa, mas ao mesmo tempo, está aprendendo. Acho que isso me ensinou a ser mais egoísta”, falou.

Alexander Albon marcou os únicos pontos da Williams em 2022 até agora (Foto: Williams)

A Red Bull, por fim, fez o lobby necessário para que Albon pudesse voltar ao grid a partir de 2022 e assinar com a Williams. O piloto sempre esteve tranquilo, esperando sua oportunidade de estar na F1 novamente e, apenas, estava preocupado com qual ritmo ia encontrar na categoria. “Só pensava em como eu ia voltar, o que teria de fazer para sentar em um cockpit de Fórmula 1. Tudo isso praticamente uma semana depois de me dizerem que estava fora”.

Ser piloto reserva dos taurinos em 2021 não ficou apenas em pilotar no simulador. A equipe chefiada por Christian Horner e o campeão da temporada, Max Verstappen, reconheceram o papel vital que Albon exerceu para que o título viesse. “Definitivamente, sabia que deveria jogar o jogo da equipe e que me beneficiaria disso. Dei 110% do meu potencial, mostrei meu valor fora da pista. Como não estava pilotando fisicamente um carro, trabalhei com os mecânicos e engenheiros tanto na corrida, como na fábrica”, contou.

Alexander fez uma avaliação do seu ano fora da pressão de estar na Fórmula 1. Para ele, essa adversidade permitiu que pudesse construir uma base mental forte que talvez tenha lhe faltado no seu período na Red Bull. “As pessoas acreditam que, durante minha ausência, tenha pensado em melhorar meu ritmo de classificação, de corrida, ou como ficar confortável em um F1. E, para mim, foi apenas precisar de um grupo de apoio, ser mais egoísta em alguns momentos. Não estou dizendo para não ser legal, mas apenas não ser complacente”.

Albon viveu um ano difícil na Red Bull em 2020 e voltou como piloto reserva em 2021 (Foto: Pirelli)

Albon foi recompensado em voltar à F1 pela Williams, no lugar de seu grande amigo, George Russell. Os pontos regulares e as aparições no Q3 rarearam, mas nada que tire o tesão pelo desafio em trazer uma equipe grande de volta aos tempos dourados. “Estou muito motivado e focado, o ano que passei fora me deixou com muita fome para mostrar às pessoas meu valor. Honestamente falando, sempre rola um pouco de ansiedade, de como vai ser, mas foi uma sensação boa saber que entrei no ritmo rapidamente”.

Já na pré-temporada, Albon sacou que estava bem e que casou muito bem com o carro logo de início. “Em Barcelona, senti que não perdi de cara um dia. E, no Bahrein, entramos no Q2 e percebi que seria um bom ano. Agora, é claro, não estamos onde realmente queremos estar, mas pessoalmente estou feliz com o andamento da temporada”. O tailandês respondeu aos questionamentos sobre as principais diferenças entre Williams e sua antiga equipe. “Na Red Bull, se você não ganha, não é bom. Aqui, temos de ser realistas em enxergar os pontos como um grande resultado. Tirando isso, não muda muita coisa”.

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O ano de 2022 de Albon também tem o incidente vivido com Guanyu Zhou, em Silverstone. O chinês foi rapidamente liberado do hospital, mas o tailandês sofreu um pouco mais depois de atingir uma barreira interna desprotegida. “Tivemos acidentes maiores no passado, todo mundo mantém um pouco de cautela, é estranho. A maneira como eu acertei doeu mais do que percebi. Fiquei um pouco dolorido na semana seguinte, confesso”.

A maneira como lidou com o acidente na pista inglesa mostra como Alexander mudou e está mais resiliente e mais determinado mentalmente do que antes. “Fui muito duro comigo mesmo em 2020. Hoje, olho para trás e nem acho que foi um ano ruim. Senti que só precisava de tempo. Tinha diversos planos caso não voltasse à F1, mas devo dizer que estou muito aliviado, tudo valeu a pena”, completou Albon.

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