'Bolsonaro não deixou um herdeiro político natural no RS', diz governador tucano aliado de Leite

'Bolsonaro não deixou um herdeiro político natural no RS', diz governador tucano aliado de Leite Confira!

‘Bolsonaro não deixou um herdeiro político natural no RS’, diz governador tucano aliado de Leite

Atual governador e vice da chapa vencedora acredita que a fuga da polarização deu certo no Estado

‘Bolsonaro não deixou um herdeiro político natural no RS’, diz governador tucano aliado de Leite
Imagem: Reprodução | Divulgação



Eleito vice-governador do Rio Grande do Sul na chapa de Eduardo Leite (PSDB) em 2018 e atual chefe do executivo gaúcho, o delegado da Polícia Civil Ranolfo Vieira Júnior (PSDB), 56, foi consultado e colaborou com o grupo de trabalho de segurança pública da equipe de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.

Secretário de Segurança Pública de Leite até assumir o governo em maio, quando o então governador renunciou em meio a disputa tucana pela vaga de presidenciável, Ranolfo seria o candidato do PSDB no Estado, mas o tucano optou por tentar um novo mandato mesmo fora do cargo.

Quando Leite superou Edegar Pretto (PT) com pouco mais de 2.000 votos e passou para o segundo turno contra o bolsonarista Onyx Lorenzoni (PL), Ranolfo tornou-se o principal interlocutor de Leite com os petistas, Lula e Alckmin.

Ranolfo dirigiu o Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) e foi Chefe de Polícia do Rio Grande do Sul no governo Tarso Genro (PT), quando presidiu no período o Conselho Nacional dos Chefes de Polícia Civil.

A partir de 2023, Ranolfo vai comandar o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE)

Após a derrota de Onyx Lorenzoni, o presidente Jair Bolsonaro deixou algum herdeiro político no Rio Grande do Sul?

Não vejo neste momento um herdeiro natural da liderança do presidente Bolsonaro no Rio Grande do Sul.

Acredita que o bolsonarismo continuará sendo a principal força antipetista no estado?

O antipetismo estava antes muito arraigado no PSDB, mas fortaleceu o bolsonarismo. Agora vamos ver como será a relação do presidente Lula com o Eduardo.

É possível criar pontes entre PSDB e PT no Rio Grande do Sul para que ambos estejam juntos contra a direita mais radical?

Na política tudo é possível, mas essa construção direta é muito difícil pelos antagonismos programáticos dos dois partidos.

Quais são esses antagonismos?

O tamanho do Estado e a questão fiscal por exemplo. O PSDB tem muito o olhar para a situação fiscal.

A que o senhor atribui a derrota do Onyx?

A essa composição do 2° turno, que é uma eleição plebiscitária.

O senhor foi procurado pelo Grupo de Trabalho de Segurança Pública da Transição?

Fui consultado sobre temas de segurança pública por algumas lideranças do PT que estavam na campanha do Lula. Levei a eles a experiência do nosso programa RS Seguro, que deu tão certo no Rio Grande do Sul. O objetivo foi colaborar com eles.

Qual foi a importância do PT na vitória de Eduardo Leite no 2° turno?

O PT foi fundamental. Temos uma conta que 100% dos votos da esquerda no Rio Grande do Sul migraram para o Eduardo Leite. Tiveram também muitos eleitores que votaram no presidente Bolsonaro e no Eduardo. Bolsonaro foi o mais votado no Rio Grande do Sul e o Eduardo teve uma votação superior a dele.

O Eduardo Leite se elegeu em 2018 com um discurso antipetista e sempre manteve uma postura crítica ao partido. Foi um dilema para vocês no segundo turno?

Tivemos no Rio Grande do Sul a estratégia de fugir da polarização. A terceira via deu certo no Rio Grande, assim com em Pernambuco com a Raquel Lyra (PSDB). Nosso conceito de campanha no segundo turno foi: ‘O Rio Grande é que importa’. A polarização quase se repetiu no estado no 1° turno. O Eduardo passou para o segundo turno com 2.441 votos.

O governador Eduardo Leite vai assumir o comando do PSDB e desponta como presidenciável. Qual narrativa ele deve adotar a partir de 2013? Vai manter o discurso contra o PT ou se colocar como opção do campo como a Simone Tebet (MDB-MS)?

A linha programática do PT é muito diferente do PSDB. Não tem como se avançar nesse sentido. Mas tem alguns valores que são fundamentais tanto para o PT como para o centro, como a democracia. O Eduardo quebrou um paradigma no Rio Grande do Sul, que nunca reelegeu um governador ou seu sucessor. Como presidente do PSDB, vai mostrar para o Brasil sua liderança e competência.

O que o sr. achou da escolha do Flávio Dino (PSB) como ministro da Justiça?

Achei uma escolha muito boa. Ele tem muita experiência e conhecimento na área.

O senhor defende que sejam revogadas as regras que flexibilizaram a posse de arma no governo Bolsonaro? Lula foi crítico aos clubes de tiro na campanha.

Algumas coisas extrapolaram a questão legal. Tenho restrições ao cidadão civil poder portar uma arma de calibre restrito. Por quê o cidadão precisa ter um fuzil em casa? Veja o exemplo do Roberto Jefferson. Houve exageros. Mas não sou contra clube de tiro, pelo contrário. É lá que as pessoas aprendem.

Qual sua posição sobre as câmeras no uniforme dos policiais?

No Rio Grande do Sul estamos iniciando a implementação de câmeras corporais nas nossas policias. Isso é um avanço. Os países de primeiro mundo já utilizam essa tecnologia. Ela representa uma quebra de paradigma. O futuro passa por aí.

Como deve ser a relação da Polícia Federal com o governo federal?

A polícia deve ser do Estado e nunca do governo. Essa é a linha adequada.

Eduardo Leite será candidato ao Palácio do Planalto?

Vejo ele como um player nacional. É muito cedo para fazer qualquer conjectura, mas é um dos nomes que se destaca no cenário nacional. Pode ser um dos candidatos em 2026.

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