Cafu faz projeção da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo e elogia Vinícius Jr

Capitão do penta fala sobre diversos temas e seu projeto social em Alagoas e comenta sobre relação da Seleção...

revistabaiacu - 22 de junho de 2022
Cafu faz projeção da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo e elogia Vinícius Jr



O capitão do pentacampeonato mundial da Seleção Brasileira, Cafu abordou diversos assuntos, como Vinícius Jr., Rodrygo, Seleção e Copa do Mundo, em entrevista ao jornal inglês “The Guardian”, em Maceió, antes de viajar para acompanhar seu projeto social no interior de Alagoas.

O ex-lateral falou sobre a Seleção Brasileira e sua relação com o público e destacou que após 2010, a ligação com a torcida caiu, diferentemente de anos antes.

– O problema é que as pessoas não sabem os titulares da Seleção. É um ano de copa e não sabemos certamente quem vai para o Qatar, infelizmente. É diferente da sensação que se tinha em 2002, quando sabíamos quem seria titular e quem entraria no decorrer do jogo. Os torcedores nos conheciam e sabiam onde jogávamos e se sentiam próximos à equipe. Há uma distância entre o time e a torcida e isso tem crescido desde 2010.

Ainda sobre a Seleção, Cafu comentou sobre as possibilidades de quem pode ser titular na Copa. Para ele, a disputa entre os goleiros deixa indefinições no ar e disse que Neymar é a única unanimidade.

– Podemos ter certeza de que Alisson começará os jogos quando Ederson estiver jogando como ele está? Ou que Weverton não conseguirá a vaga após os títulos com o Palmeiras? O único jogador garantido é Neymar, porque ele é o melhor. Depois temos outros caras atrás de uma vaga, como o Vinicius Jr.

Sobre Vinócius Jr, o capitão do penta teceu elogios ao atacante do Real Madrid e destacou sua evolução dentro do clube espanhol, e também citou Rodrygo, que foi decisivo na Champions pelo time merengue.

– O Vini é o futuro do futebol brasileiro. Ele é o jovem jogador com mais possibilidades. Ele já era promissor, mas este ano mostrou que pode conseguir mais. É muito cedo para colocá-lo entre os três melhores jogadores do mundo, mas podemos imaginá-lo chegando lá. Ele é um menino profissional, humilde e precisava de alguém que lhe explicasse como poderia melhorar. Carlo Ancelotti estava lá para fazer isso e agora vemos o que Vini pode fazer. Rodrygo também está tendo bons minutos e fornecendo, e o Real Madrid está funcionando como um bom motor.

Ainda sobre jovens atletas, Cafu destacou um -problema recorrente no futebol brasileiro com relação às vendas de jogadores jovens de clubes do Brasil.

– Times como Flamengo, Palmeiras e Atlético Mineiro devem ser o exemplo para os clubes brasileiros. Eles mudaram a forma como as coisas são feitas e trouxeram muito profissionalismo para a nossa liga, o que é bom. Eles podem investir, estão sempre à beira de ganhar títulos e podem trazer grandes jogadores. No entanto, o Brasil ainda tem o problema de vender seus jovens jogadores cedo demais. Quando eu jogava, ganhávamos títulos em nosso país, entrávamos na seleção e depois íamos para a Europa. Agora é o contrário: eles vão para a Europa, tentam entrar na seleção e depois voltam para o Brasil no final da carreira. É por isso que às vezes é difícil ter um time titular.

Poucos dias antes de se completarem 20 anos do pentacampeonato mundial do Brasil, Cafu se lembrou dos momentos de descontração na noite anterior à final da Copa do Mundo, que ajudaram a manter a equipe mais leve.

– Na noite anterior à final, estávamos jogando golfe nos corredores, Estávamos conversando e nos divertindo. Eu era o capitão da equipe e senti que era o momento de desabafar. Falei para o Felipão: “Deixa os meninos se divertirem, porque amanhã vamos fazer um grande jogo”. Ele acreditou em nós e viu que poderíamos ganhar esse título. Sentou-se conosco por algumas horas, depois foi para seu quarto. No dia seguinte, entramos em campo e ganhamos a Copa do Mundo. Não há sensação melhor no futebol do que levantar esse troféu. Eu te garanto isso. Ainda me dá calafrios falar sobre isso. Está vívido em minha mente – completou.

Sobre seu projeto social em Alagoas, no qual, ajuda crianças no interior do estado, o ex-lateral conta que ao ver as crianças que ajuda, se lembra de quando era jovem e começou a jogar futebol, vendo-se nos jovens que seu projeto atende:

– É muito mais difícil atingir metas quando a sociedade não lhe dá oportunidades. Acordava às 4h, comia alguma coisa e pegava o ônibus às 5h para chegar ao treino às 9h. Às vezes eu jogava pior do que os outros meninos porque eles tinham uma noite inteira para dormir e moravam perto do campo de treinamento. Então eu me vejo nessas crianças, porque infelizmente a vida só dá duas opções para os pobres: você pode ir para o mau caminho ou tentar perseverar. A segunda opção envolve muita luta. O que as pessoas não entendem é que os jogadores de futebol tentam alcançar o sucesso não porque o objetivo é ter fama, mas para ajudar sua família e amigos a sair da pobreza – concluiu o pentacampeão.