“Cripto colapso” se intensifica e stablecoin Tether cai abaixo da paridade com dólar

O colapso da TerraUSD, uma das principais stablecoins do mundo, repercutiu nos mercados de ...

revistabaiacu - 13 de maio de 2022




O colapso da TerraUSD, uma das principais stablecoins do mundo, repercutiu nos mercados de criptomoedas nesta quinta-feira, empurrando outra grande stablecoin, Tether, abaixo da paridade com o dólar e mandando o bitcoin para as mínimas de 16 meses.

As criptomoedas foram varridas por uma liquidação de ativos de risco, que ganhou força esta semana, pois dados mostraram que a inflação dos EUA continua avançando, agravando temores de investidores sobre o impacto econômico de um possível aperto agressivo de juros pelo Federal Reserve.

A venda levou o valor de mercado combinado de todas as criptomoedas para 1,2 trilhão de dólares, menos da metade de onde estava em novembro passado, segundo dados da CoinMarketCap.

O bitcoin atingiu um mínimo de 25.401,05 dólares, nível mais baixo desde 28 de dezembro de 2020. Às 17h05 (horário de Brasília), a moeda digital era cotada em queda de 1,4%, a 28.594 dólares.

Nas últimas oito sessões, o bitcoin perdeu mais de um quarto do valor, ou cerca de 10.700 dólares, acumulando queda de 37% até agora no ano. O pico foi atingido em novembro do ano passado, a 69 mil dólares.

A correlação do bitcoin com o índice Nasdaq tem aumentado recentemente e agora está perto de seu nível mais alto de todos os tempos, com base nos dados da Refinitiv. O Nasdaq caiu cerca de 8% até agora este mês.

O ether, a segunda mais importante criptomoeda do mundo, caiu para o piso desde junho de 2021, a 1.700 dólares.

Ao contrário dos movimentos de venda anteriores do mercado financeiro, quando as criptomoedas seguiram quase estáveis, a mais recente pressão de venda em moedas digitais minou o argumento mais amplo de que elas são reservas confiáveis de valor em meio à volatilidade do mercado.

NÃO TÃO ESTÁVEIS

A stablecoin TerraUSD foi atingida pela turbulência e quebrou sua indexação ao dólar americano, o que a levou a cair para 0,31 dólar na quarta-feira. Nesta quinta-feira, ela foi negociada em torno de 0,38 dólar.

“Infelizmente, as consequências dessa situação vão além das perdas materiais sofridas pelos investidores”, disse Anto Paroian, diretor do fundo de hedge de criptoativos ARK36.

“A desvinculação com a paridade provavelmente resultará em risco regulatório substancial – se não para todo o espaço de criptomoedas, certamente para o mercado de stablecoins”, disse.

Stablecoins são tokens digitais atrelados ao valor de ativos tradicionais, como o dólar norte-americano. Mas a TerraUSD é uma stablecoin algorítmica e deveria manter sua paridade com o dólar por meio de um mecanismo complexo que envolve a troca dela por outro token flutuante.

Nesta quinta, os desenvolvedores do Terra interromperam a blockchain para evitar ataques após o colapso da stablecoin e do token Luna relacionado. Porém, o Blockhain Terra foi reiniciado.

A Luna Foundation, que não tem fins lucrativos, é afiliada da Terraform Labs, empresa por trás do TerraUSD.

Stablecoins lastreadas em ativos tradicionais também mostraram sinais de estresse. O tether caiu abaixo da paridade de 1:1 com o dólar, com base nos dados do CoinMarketCap.

“A falta de transparência do Tether sobre a qualidade do papel comercial que eles detêm para sustentar a paridade tornou-o o próximo alvo óbvio”, disse Usher, do BCB Group.

“No entanto, o Tether é um animal muito diferente da Terra, com um ecossistema mais comprovado e tenho muito mais confiança de que, quando a volatilidade diminuir, ele poderá recuperar sua fixação e estabilidade”, disse ele.

Paolo Ardoino, diretor de tecnologia da Tether, disse que a stablecoin reduziu exposição a papéis comerciais nos últimos meses e agora detém a maioria de suas reservas em títulos do Tesouro dos EUA.

A Tether é a maior stablecoin por valor de mercado e, junto com USD Coin e Binance USD, respondem por quase 87% do mercado de stablecoins de 169,5 bilhões de dólares.

O grande número de corretoras de criptomoedas centralizadas e locais descentralizados, cada uma com seu próprio perfil de liquidez e risco de crédito, está aumentando as distorções de preços em todo o mercado, disse Denis Vinokourov, chefe de pesquisa da Corinthian Digital Asset Management.

“Esse risco, em tempos de liquidez apertada e desalavancagem em massa, leva a mais distorções de preços”, disse.

Em seu Relatório de Estabilidade Financeira nesta semana, o Federal Reserve disse que stablecoins são vulneráveis a corridas de investidores por serem apoiadas por ativos que podem perder valor ou se tornar ilíquidos em casos de estresse do mercado.