Fluxo blinda real de pressão externa e dólar zera alta na semana

O dólar chegou a subir mais de 1% pela manhã, mas com o pregão em curso perdeu ritmo, virou...

revistabaiacu - 5 de agosto de 2022
Fluxo blinda real de pressão externa e dólar zera alta na semana



O dólar chegou a subir mais de 1% pela manhã, mas com o pregão em curso perdeu ritmo, virou e caiu na mesma magnitude nesta sexta-feira, influenciado por entradas de recursos pela perspectiva de parada na alta dos juros.

O real atipicamente descolou de seus pares, ostentando o segundo melhor desempenho global numa curta lista de seis moedas que bateram o dólar no dia.

Os demais 27 principais rivais da divisa norte-americana sofreram expressivas perdas, após dados bem mais fortes do mercado de trabalho dos EUA reavivarem expectativas de nova grande alta de juros pelo Fed.

O dólar à vista fechou em queda de 1,03%, a 5,1689 reais na venda, depois de oscilar entre 5,279 reais (+1,08%) e 5,1653 reais (-1,10%).

O índice do dólar contra uma cesta de moedas de países desenvolvidos saltava 0,8% no fim da tarde. O dólar subia entre 0,4% e 1,8% ante pares do real como peso mexicano, peso chileno e peso colombiano.

Mas não foi apenas o mercado de câmbio que teve bom desempenho nesta sexta. A bolsa paulista fechou sua terceira semana de ganhos, e na renda fixa as taxas de juros embutidas em contratos de DI na B3 –uma medida das perspectivas para os custos dos empréstimos– seguiram em queda nos vértices de longo prazo mesmo depois do tombo da véspera.

“O gringo está entrando para aplicar nos juros, já que chegou o fim do ciclo (de alta da Selic)”, disse um gestor que preferiu não ser identificado.

Os vencimentos mais dilatados da curva de DI –tradicionalmente mais visados pelos estrangeiros– caíram cerca de 10 pontos-base. A queda dos juros por sua vez elevou o apelo da renda variável, o que ajuda a explicar o Ibovespa ter superado os 107 mil pontos mais cedo.

“Acho que esse movimento (de ingresso de dinheiro estrangeiro) vai continuar”, disse Vinicius Alves, macroestrategista-chefe da Tullett Prebon, segundo o qual o não residente já havia tempo que queria entrar, mas era desestimulado pela perspectiva de o juro seguir em alta.

“Ele agora vê espaço para entrar, não se importa em ter pedido uma semana de movimento (de perda de prêmio na curva). Agora o jogo é quando cai o juro (Selic)”, afirmou.

Com o movimento desta sexta, o dólar zerou a alta da semana e acabou acumulando variação negativa de 0,07%. Em 2022, o dólar perde 7,26%.