Mercado inicia janeiro com o pé no freio em relação à Bolsa brasileira

Mercado inicia janeiro com o pé no freio em relação à Bolsa brasileira Confira!

Mercado inicia janeiro com o pé no freio em relação à Bolsa brasileira

Definição da política fiscal no novo governo e perspectivas de recuperação da China pesam sobre cenário projetado para 2023

Mercado inicia janeiro com o pé no freio em relação à Bolsa brasileira
Imagem: Reprodução | Divulgação



O ano de 2023 é novo, mas as preocupações são antigas e conhecidas do investidor. Assim, o mercado financeiro deve iniciar janeiro com o pé ainda no freio com relação à Bolsa brasileira. Aliás, a forte volatilidade do Ibovespa em 2022 pode se repetir, ainda que em menor magnitude, no ano que vem, dadas as dúvidas sobre a condução da política econômica do novo governo em um ambiente de desaceleração global e aumento de juros pelo mundo. Principal índice da B3, o Ibovespa fechou o ano com variação de 4,69%, perdendo até para a tradicional caderneta de poupança.

A percepção é de que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegará ao Palácio do Planalto com o caixa apertado e muita pressão para ampliar gastos. A tarefa se torna mais complexa tendo em vista não só a conjuntura econômica desfavorável, como também a constatação de que o novo governo precisará construir uma base de sustentação política ao longo do caminho – em um Congresso onde o Centrão continua a exercer enorme influência. Nesse contexto, a probabilidade é de que a taxa Selic não só permaneça elevada, como também possa até mesmo subir, chegando a 16% ao ano em certas projeções e cenários.

Para Matheus Pizzani, economista da CM Capital, há também muitas incertezas em relação à reabertura na China, ainda assolada pelos números da covid-19. “Pensando mais para frente, a China é extremamente relevante, dado que o crescimento global será menor. O padrão de expansão do país será importante para conseguir entender o quanto (o mundo) vai avançar em 2023. Pensando nisso, o ano pode ser um pouco menos turbulento, mas não sem volatilidade”, diz o economista. Pizzani acrescenta que a instabilidade pode atingir os mercados até agosto, prazo final para que o novo governo encaminhe a proposta da nova âncora fiscal para o Congresso.

Segundo a Guide Investimentos, indicadores técnicos sugerem que um repique do Ibovespa no curto prazo é provável, dado que a incerteza deve continuar alta até o primeiro trimestre. A casa menciona falta de clareza sobre a política econômica do próximo governo.

Em um cenário de dúvida com o fiscal, Flavio Kac, gestor do ASA Long Blased, avalia que a visão positiva em relação ao Banco Central (BC) brasileiro, que foi o primeiro no mundo a começar a subir os juros em resposta à aceleração da inflação mundial, “foi por água abaixo”. Para ele, a indicação com relação ao fiscal do novo governo deixa o País em uma posição de fragilidade.

“Teria de acontecer algo fora do Brasil para ajudar muito, já que, por aqui, temos Fernando Haddad (ministro da Fazenda) e Aloizio Mercadante (indicado para o BNDES). Isso não vai mudar”, afirma Kac, destacando que o investidor estrangeiro está receoso em “comprar Brasil”. “O gringo não está satisfeito, está de fato evitando.”

Para o gestor da ASA, o que seria bem-visto pelo mercado e poderia impulsionar o Ibovespa seriam indicações sem ligação política do presidente eleito para a Petrobras e para o Banco do Brasil. “Isso talvez amenize , mas não resolve o problema fiscal que tem sido colocado.”

Nesse cenário, o índice Bovespa poderia ir para a faixa de até 120 mil pontos no fim de 2023. “Agora, se o BC começar a subir juros, podemos ver o Ibovespa indo para 80 mil pontos”, diz Kac, observando que a sinalização do novo governo para o fiscal pode requerer um aumento da taxa Selic dos atuais 13,75% para 16% em 2023.

Operadores de mercado projetam uma margem larga de volatilidade para o câmbio em 2023. As estimativas vão de R$ 4,80 a R$ 6,50, ante uma taxa média de R$ 5,27 calculada por economistas no último Boletim Focus do Banco Central, divulgado no dia 26. E motivos não faltam para tamanha disparidade: discussão de um novo arcabouço fiscal, possibilidade de uma reforma tributária, cautela sobre a redução das restrições pela covid-19 na China e incerteza sobre o aperto monetário por grandes bancos centrais no mundo.

A aposta entre os agentes é de que o fluxo cambial pode ser favorável e ajudar na queda do dólar diante da eventual reabertura da economia da China, após a política de covid zero, e com menor tensão política-institucional no Brasil, com a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mas o cenário de incerteza fiscal interna pode pesar mais na precificação da taxa de câmbio do que o externo, afirmam os analistas.

O primeiro semestre deve ser de volatilidade cambial com a indefinição fiscal interna, e é difícil falar em dólar abaixo de R$ 5,30 ou R$ 5,40, disse a economista-chefe da B Side, Helena Veronese. Segundo ela, persiste um grande desconforto no mercado em relação ao arcabouço fiscal que substituirá o teto de gastos, com o tamanho da provável expansão de despesas públicas no futuro governo e sua política de crédito para os bancos estatais.

Já o analista de inteligência de mercado da Stonex, Leonel Mattos, prevê que o desenrolar das eleições para o comando da Câmara e do Senado, as discussões sobre o novo arcabouço fiscal e o envio da proposta de reforma tributária ao Congresso devem estimular demanda defensiva em dólar.

Do lado externo, o principal ponto de inflexão apontado é o timing da reprecificação de mudança na política de aperto monetário do Federal Reserve (o BC americano). “Entre as dúvidas, estão o patamar terminal da taxa de juros nos EUA, quanto tempo ela precisará ficar estacionada ali e se isso levará a maior economia do mundo à recessão”, apontou Mattos.

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