Música e cinema, outras paixões de Pelé; Rei tocava violão e atuou em filmes e documentários

Música e cinema, outras paixões de Pelé; Rei tocava violão e atuou em filmes e documentários Confira!

Música e cinema, outras paixões de Pelé; Rei tocava violão e atuou em filmes e documentários

Neste palco, ele era menos Pelé e mais Edson Arantes do Nascimento: sua fama o levou para outros caminhos com algum destaque, como no longa ao lado de ex-jogadores e de Sylvester Stallone no 'Fuga para a Vitória'

Música e cinema, outras paixões de Pelé; Rei tocava violão e atuou em filmes e documentários
Imagem: Reprodução | Divulgação



A consagração no futebol nunca pareceu ser o suficiente para Pelé. A carreira artística sempre o fascinou, especialmente a música e o cinema. A fama também o levou para esses caminhos. Em diversos momentos, ele trocou a bola por um violão e pelos microfones, e, em vez de ensaiar jogadas, preferiu decorar textos para filmes e especiais de TV. Neste palco, Pelé sempre foi mais Edson Arantes do Nascimento.

A música sempre foi uma das paixões de Pelé, conhecido por dedilhar violões nas concentrações do Santos e da seleção brasileira. E participou de verdadeiros ensaios para gravações solo ou acompanhado de estrelas da música popular brasileira como Elis Regina e Gilberto Gil. Em seu Dicionário da MPB, o pesquisador Ricardo Cravo Albin observa que o jogador do século 20 também serviu de inspiração para vários cantores e compositores, que fizeram músicas para homenageá-lo em vida. Um drible, um gol, uma vitória… esses eram sempre os temas.

“Em 1960, a Orquestra e Coro RGE gravou a marcha ‘Pelé, Pelé’, de Alceu Menezes. Em 1961, o cantor Luiz Vanderley gravou pela RCA Victor o ‘Chá-chá-chá Rei Pelé’, de Wilson Batista, Jorge de Castro e Luiz Vanderlei. Essa composição foi regravada dois anos depois pelo Coro do Clube do Guri. Em 1962, a dupla sertaneja Craveiro e Cravinho oficializou a cana-verde Pelé dos Pobres, de Sulino, Moacir dos Santos e Fernandes. No mesmo período, o cantor Paulo Tito gravou o baião Pelé, de Gordurinha. Em 1963, o choro Pelé, de Oiram Santos, foi cantado por Eli do Banjo na gravadora Copacabana”, informa o pesquisador.

Cravo Albin revela também em seu trabalho as atividades de Pelé como cantor. Em 1969, ele esteve ao lado de Elis Regina no compacto simples Tabelinha – Elis x Pelé (Phillips), que contém as músicas Perdão Não Tem e Vexamão, de sua autoria. Em 1978, foi lançado o LP Pelé (WEA), com a trilha sonora original do filme lançado naquele mesmo ano sobre sua despedida do futebol. O disco tem produção e arranjos de Sérgio Mendes e traz Pelé cantando em duas faixas em dueto com a cantora Gracinha Leporace, Meu Mundo É uma Bola e Cidade Grande. Sua voz não era agradável. Nesse terreno, Pelé era um jogador esforçado e nada mais.

Aquele disco traz ainda outras duas composições de sua autoria, Nascimento e Voltando a Bauru, além de canções de Sérgio Mendes. Pelé voltou a gravar um compacto em 1979, já depois de se aposentar dos gramados (1977), com as músicas Criança e Moleque Danado, de sua autoria e fruto de seu engajamento em favor dos menores de idade. Sua fama no futebol, claro, impulsionou todas essas andanças por áreas que ele não dominava.

O cinema foi outro caminho de exposição utilizado por Pelé. A primeira vez em que ele apareceu na telona foi na comédia ‘O Barão Otelo no Barato dos Bilhões’, dirigido por Miguel Borges em 1971. Pelé estava no auge. Havia acabado de ganhar a Copa do Mundo de 1970. Estrelado por Grande Otelo e Dina Sfat, o filme teve a participação de Pelé como Doutor Arantes – nos créditos, ele é nominado como Edson Arantes do Nascimento.

Em 1979, Anselmo Duarte convidou o jogador para figurar como ele mesmo em ‘Os Trombadinhas’, longa policial em que Pelé ajuda na recuperação social de menores de rua. Ele voltou a ser protagonista em ‘Pedro Mico’, drama que Ipojuca Pontes dirigiu em 1985 baseado na peça de Antonio Calado. Conta a história de um malandro carioca que rouba joias e foge, enganando sua quadrilha, que passa a persegui-lo nos morros, como a polícia.

Mas foi em 1981 que Pelé deu o maior salto cinematográfico ao participar de ‘Fuga Para a Vitória’, longa dirigido por John Huston. O filme é recheado de estrelas como o sueco Max von Sydow, que interpreta um major do exército alemão e Sylvester Stallone. Durante a 2.ª Guerra Mundial, o major decide organizar um amistoso entre a Alemanha nazista de Hitler e prisioneiros aliados comandados por um capitão inglês vivido por Michael Caine. Pelé deu as dicas das jogadas que foram filmadas (como uma belíssima bicicleta sua), mas estranhamente vive um prisioneiro vindo de Trinidad e Tobago. Vale a pena ver de novo!

Pelé ainda viveu um repórter esportivo em ‘Os Trapalhões e o Rei do Futebol’, em 1986, além de inspirar outros dois documentários: Isto é Pelé (1974), de Eduardo Escorel e Luis Carlos Barreto, e Pelé Eterno (2004), de Anibal Massaíni Neto. Sua trajetória já foi retratada nas telas de diversos recortes, das Copas que jogou até dos primeiros anos de sua vida em Minas Gerais. Veja algumas das produções sobre Pelé:

O Rei Pelé (1962);

Brasil verdade (1964);

O Barão Otelo no barato dos bilhões (1971);

A Marcha (1972);

Passe Livre (1974);

Isto é Pelé (1974);

Os Trombadinhas (1979);

Fuga para a vitória (1981);

A vitória do mais fraco (1983);

Pedro Mico (1985);

Os Trapalhões e o Rei do Futebol (1986);

Hotshot (1987);

Primeiro de Abril, Brasil (1988);

Pelé Eterno (2004);

Once in a Lifetime (2006);

Pelé: O Nascimento de uma Lenda (2017)

Em abril de 1977, um dos mais bem-sucedidos cartunistas do Brasil e do mundo, Maurício de Sousa, resolveu homenagear o maior ídolo do esporte nacional. O gibi Pelezinho, que contava as histórias do garoto Pelé quando tinha 7 anos, foi lançado pela Editora Abril em 1977 e durou até 1986 (foi relançado pela Editora Panini em 2012, modernizado e adequado à era da internet).

Pelezinho fez tanto sucesso que Maurício de Sousa até tentou emplacar novos personagens, como Dieguito (baseado em Diego Armando Maradona), Ronaldinho (Fenômeno) e o Senninha (Ayrton Senna). Mas a recepção do público não foi a mesma. Em 2013, o gibi de Pelé foi lançado na Alemanha, durante a Feira do Livro de Frankfurt. Na Copa do Mundo de futebol no Brasil, em 2014, a história em quadrinhos virou uma série de vinhetas de animação no Discovery Kids.

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