Pablo Picasso, o gênio obcecado pelo erotismo

Pablo Picasso, o gênio obcecado pelo erotismo Confira!

Pablo Picasso, o gênio obcecado pelo erotismo

Eventos ao redor do mundo marcarão em 2023 os 50 anos da morte do artista espanhol como parte do ...

Pablo Picasso, o gênio obcecado pelo erotismo
Imagem: Reprodução | Divulgação



Eventos ao redor do mundo marcarão em 2023 os 50 anos da morte do artista espanhol como parte do programa “Celebração de Picasso 1973-2023”. Seu legado inclui da genialidade artística à masculinidade tóxica.Em sete décadas de abundante atividade artística, o pintor espanhol Pablo Picasso criou milhares de pinturas e esculturas em muitos estilos de vanguarda. E ele continua sendo um dos artistas de maior sucesso em leilões em todo o mundo: suas obras são avaliadas em centenas de milhões de dólares.

O quadro “Mulher sentada perto de uma janela” foi vendido por 103 milhões de dólares pela Christie’s em Nova York, em maio de 2021, enquanto em 2015 suas “Mulheres de Argel” foram arrematadas por 179 milhões de dólares.

Em 2023, um programa cultural internacional marcará os 50 anos da morte do famoso artista. Sob o título “Picasso Celebration 1973-2023”, serão realizadas exposições especiais não apenas em seu país natal, a Espanha, mas também na França, Alemanha e Estados Unidos, entre outros países.

Embora o gênio artístico de Picasso seja incontestável, aqueles que revisam seu legado passaram a debater cada vez mais sua misoginia após o movimento #MeToo.

Um prodígio da pintura

Picasso nasceu em 25 de outubro de 1881 em Málaga, no sul da Espanha.

Seu pai, Don Jose Ruiz y Blasco, ganhava a vida pintando pássaros e animais e lecionando como professor de arte. Ele começou a ensinar desenho ao filho quando este tinha apenas 7 anos de idade.

Aos 13 anos, Picasso começou a estudar na escola de belas artes de Barcelona, a Escola de la Llotja, onde seu pai também lecionava. Dois anos depois, pintou sua primeira pintura a óleo em grande escala, chamada “Primeira comunhão”, para uma exposição na cidade. O quadro é considerado sua primeira obra-prima.

Em 1897, foi para a Real Academia de Belas Artes de San Fernando, em Madri, mas preferiu estudar obras de arte no Museu do Prado, onde observou de perto as pinturas de Diego Velázquez, Rembrandt, Johannes Vermeer e Francisco Goya.

Picasso mudou-se para Paris no início de 1900.

Fases artísticas

Sua vida artística pode ser dividida em várias fases. A primeira, conhecida como Período Azul, durou de 1901 a 1904 e é amplamente reconhecida como desencadeada pelo suicídio do poeta espanhol Carles Casagemas, amigo de Picasso. A primeira pintura desse período, chamada “A morte de Casagemas” (1901), é emblemática pelo clima sombrio e pelos tons de azul que a caracterizam.

Seguiu-se o Período Rosa (1904-1906), com Picasso pintando em tons de rosa, azul-claro e laranja. Foi quando concluiu “Retrato de Gertrude Stein”, pouco depois de conhecer a escritora americana. Essa fase é amplamente descrita como uma época mais feliz da vida do artista, e é nesse período que ele conhece Fernande Olivier, uma artista francesa que mais tarde se tornou sua musa e amante.

Aventurando-se no cubismo

Com seu controverso “As meninas de Avignon” (1906-1907), Picasso ganhou fama mundial como um líder da arte moderna. A distorção bizarra das formas do corpo feminino acabou com todas as noções anteriores de perspectiva. A pintura é vista como uma obra pioneira do cubismo.

Juntamente com Georges Braque, Picasso desenvolveria o cubismo nos anos seguintes. Suas criações durante esse período incluem “Garota com bandolim” (1910) e “Natureza morta com uma garrafa de rum” (1911).

Posições antiguerra

Entre as obras mais famosas de Picasso está “Guernica” (1937), uma pintura que se tornou sinônimo de manifestação contra a guerra. Ele a pintou em reação ao bombardeio nazista da cidade basca no norte da Espanha, ordenado pelo general Franco.

Ao usar elementos cubistas, “Guernica” também marcou a passagem do pintor para o surrealismo. Outros trabalhos antiguerra incluem “O ossário” (1944-45), relacionado ao Holocausto, e “Massacre na Coreia” (1951), bem como as pombas da liberdade, um motivo que o atraía desde criança.

A masculinidade tóxica de Picasso

Nos últimos anos, e especialmente na esteira do movimento #MeToo, as atitudes misóginas de Picasso em relação às suas amantes vêm sendo examinadas minuciosamente.

Comentaristas de arte como Shannon Lee na revista Artspace acreditam que a misoginia de Picasso precisa ser recontextualizada em sua obra: “O próprio Picasso observou que toda a sua obra poderia ser categorizada em sete estilos distintos, cada um como documento de sua relação com as sete mulheres em sua vida − Fernande Olivier, Eva Gouel, Olga Khokhlova, Marie-Thérèse Walter, Dora Maar, Françoise Gilot e Jacqueline Roque.”

Picasso, escreve Lee, “criou uma vida excepcionalmente miserável para quase todas as mulheres que afirmava amar”. Lee também cita a neta de Picasso, Marina, que escreveu Picasso, meu avô (2001): “Ele as submeteu à sua sexualidade animal, domou-as, enfeitiçou-as, ingeriu-as e as esmagou em suas telas. Depois de passar muitas noites extraindo sua essência, uma vez sangradas, ele as descartaria.”

Picasso se retratou como o mítico Minotauro em várias de suas pinturas; suas musas eram vítimas de agressão bestial. “Honestamente, hoje em dia, é muito difícil se sentir mal por um cara que desenha uma versão mitológica de si mesmo como uma ‘fera’ literalmente estuprando mulheres em inúmeras ocasiões”, escreve Lee.

Françoise Gilot, uma artista por quem Picasso se apaixonou enquanto mantinha um relacionamento com Dora Maar, é vista como a exceção à regra. Gilot lhe deu dois filhos, Claude e Paloma, e é considerada a única mulher que deixou Picasso.

Aos 81 anos, Picasso se casou com sua segunda esposa, Jacqueline Roque, 46 anos mais nova que ele. Eles viveram juntos até ele morrer. Ela cometeu suicídio logo depois.

Os últimos anos

Os últimos anos de Picasso foram caracterizados por um frenesi de atividade artística e uma expressão da obsessão do artista pelo erotismo, de acordo com o site do Museu Picasso de Paris.

Em 1966, uma exposição de pinturas e esculturas do artista na capital francesa também apresentou “O casal”, que mostra um homem e uma mulher se abraçando e é uma peça seminal que aborda o tema do amor e da sexualidade.

Três anos depois, uma exposição no Palais des Papes, também em Paris, desencadeou um escândalo pelo erotismo das pinturas e seus formatos gigantescos. Em 1972, o artista parecia estar se preparando para a morte: ele criou uma série de retratos com a cabeça substituída por uma máscara, às vezes assumindo a aparência de uma caveira com ossos cruzados.

Picasso morreu em 8 de abril de 1973, em Mougins, perto de Cannes.

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