Quase 3,5 milhões de brasileiros estão sem emprego há mais de dois anos

No total, o Brasil tem 26,812 milhões de trabalhadores subutilizados, entre desempregados e pessoas que gostariam de trabalhar mais...

revistabaiacu - 13 de maio de 2022




RIO – Apesar dos sinais positivos do mercado de trabalho no primeiro trimestre, o Brasil tinha quase 3,5 milhões de pessoas em situação de desemprego de longo prazo, ou seja, em busca de um trabalho há pelo menos dois anos. Se considerados todos os que procuram emprego há pelo menos um ano, esse contingente sobe a 5,009 milhões.

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta sexta-feira, 13, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Um total de 3,463 milhões tentavam uma oportunidade de trabalho há dois anos ou mais, o equivalente a 29% dos 11,949 milhões de desempregados existentes no período. Outros 1,546 milhão buscava emprego há pelo menos um ano, porém menos de dois anos, 12,9% do total de desocupados. Mais 4,879 milhões de brasileiros procuravam trabalho há mais de um mês, mas menos de um ano, 40,8% do total de desempregados, e 2,060 milhões tentavam uma vaga há menos de um mês, 17,2% do total.

A taxa de desemprego foi considerada estatisticamente estável em 26 das 27 Unidades da Federação na passagem do quarto trimestre de 2021 para o primeiro trimestre de 2022. A única queda significativa (que supera o intervalo da margem de erro da pesquisa, segundo o IBGE) ocorreu no Amapá, -3,3 pontos porcentuais, de 17,5% no quarto trimestre de 2021 para 14,2% no primeiro trimestre de 2022.

A taxa de desemprego na média do País ficou em 11,1% no primeiro trimestre deste ano, mesmo resultado registrado no quarto trimestre do ano passado. Houve melhora em São Paulo, onde a taxa desceu de 11,1% no quarto trimestre de 2021 para 10,8% no primeiro trimestre de 2022, enquanto que o Rio de Janeiro mostrou piora, aumentando de 14,2% para 14,9% no período, uma das mais elevadas do Brasil.

“São Paulo tem base econômica mais diversificada, da produção industrial, da produção agrícola, da produção extrativa, fazendo com que essa diversidade econômica gere mais oportunidades de ocupação. Ao passo que aqui no Rio de Janeiro, sendo uma atividade econômica muito voltada para serviços e comércio, sendo essas as mais afetadas nos últimos anos, isso acaba atrapalhando a capacidade de geração de oportunidade de ocupação”, diz Adriana Beringuy, coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE.

No primeiro trimestre, a taxa de desemprego foi de 9,1% para os homens, ante um resultado de 13,7% para as mulheres.

“É o cenário que a gente já conhece, a taxa de desocupação entre as mulheres é maior do que entre os homens”, confirmou Beringuy. “Essa diferença faz com que a taxa de desocupação entre as mulheres seja 50,5% maior do que aquela observada pelos homens”, completou.

Por cor ou raça, a taxa de desemprego ficou abaixo da média nacional para os brancos, em 8,9%, muito aquém do resultado para os pretos (13,3%) e pardos (12,9%). Ou seja, a taxa de desemprego dos pretos era 49,4% maior que a dos brancos, enquanto a dos pardos era 44,9% superior. No primeiro trimestre de 2022, 64,2% dos desempregados no País eram pretos ou pardos.

A taxa de desocupação para as pessoas com ensino médio incompleto foi de 18,3%, mais que o triplo do resultado para as pessoas com nível superior completo, cuja taxa foi de 5,6%.

O Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2022 com 4,594 milhões de desalentados, pessoas em idade de trabalhar que não procuram emprego por acreditarem que não conseguiriam uma oportunidade, por exemplo. Esse montante respondeu por 55% da força de trabalho potencial no período, que reúne 8,354 milhões de brasileiros que não trabalham nem procuram vaga, mas que teriam condições de assumir um emprego.

Se considerada toda a população subutilizada, que inclui também os desempregados (11,949 milhões) e os que trabalham menos horas do que poderiam e gostariam (6,509 milhões), faltou trabalho no primeiro trimestre para 26,812 milhões de brasileiros.

“A subutilização é mais elevada entre as mulheres”, lembrou Adriana Beringuy. “Há tendência de redução nessa estimativa em todas as regiões”, ponderou.

No primeiro trimestre de 2022, a taxa composta de subutilização da força de trabalho foi mais elevada nos estados do Piauí (43,9%), Sergipe (38,6%) e Alagoas (38,6%). Os menores resultados ocorreram em Santa Catarina (8,3%), Mato Grosso (11,3%) e Paraná (14,0%). Na média nacional, a taxa de subutilização foi de 23,2% no primeiro trimestre.

Entre os que trabalhavam, a taxa de informalidade alcançava 40,1% da população ocupada no primeiro trimestre. As maiores taxas de informalidade foram as do Pará (62,9%), Maranhão (59,7%) e Amazonas (58,1%). Os menores resultados foram registrados em Santa Catarina (27,7%), Distrito Federal (30,3%) e São Paulo (30,5%).