Sainz tem de reagir rápido ou vai ter de assumir posto que condena na Ferrari

Carlos Sainz fracassou na corrida de casa e está cada vez mais próximo de ser deixado de lado pela...

revistabaiacu - 26 de maio de 2022
Sainz tem de reagir rápido ou vai ter de assumir posto que condena na Ferrari



A vida de Carlos Sainz em 2022 ainda está longe de ser fácil. O piloto espanhol enfrentou o GP de casa, em Barcelona, pela primeira vez com um carro com potencial de campeão, o que gerou grandes expectativasem cima do #55. Que acabou decepcionando. Tudo dentro de uma temporada que começou com muitos problemas para Carlos, contratempos, erros e um ritmo constantemente abaixo de seu companheiro de equipe, Charles Leclerc, que até venceu duas corridas neste ano. Afinal, o que está acontecendo com Sainz?

O espanhol esperava se recuperar em Barcelona de um começo muito complicado na Fórmula 1 2022. Após os pódios em Sakhir e Jedá, o jovem de 27 anos emplacou um duplo abandono que o fez começar a questionar sua pilotagem. Uma má classificação em Melbourne levou a um grave erro sozinho na segunda volta do GP da Austrália, deixando-o na brita enquanto tentava ultrapassar rivais mais lentos. A pressão pode ser um fator? Certamente, porque o piloto de Madri viu como Leclerc venceu confortavelmente sua segunda corrida do ano enquanto apenas penava no meio do pelotão.

Em Ímola, mais uma vez, um erro na classificação o tirou precocemente, deixando o carro na barreira de proteção. Depois de uma boa virada na Sprint Race, quando parecia mais fortalecido para poder encarar a corrida tendo oportunidades para lutar com a Red Bull, um toque de Daniel Ricciardo o mandou para a brita de novo. Em Miami, um violento acidente contra o muro na sexta-feira deixou consequências físicas pelo resto do fim de semana. Na classificação, veio com velocidade para a pole, mas a pressão de cometer um novo erro em uma área complicada na pista americana o fez levantar o pé mais do que o necessário e terminar em segundo no grid.

Enquanto Leclerc mostrou que pode cometer erros, mas também tem o sangue frio para se recompor instantaneamente, como o fez no Q3 em Barcelona, Sainz tem uma personalidade muito diferente. O espanhol caracteriza-se por pensar demais nos erros que comete, por manter a cabeça baixa e por ter a dificuldade de superar certos problemas quando há pressão está envolvida. Mas é verdade também que a adaptação em 2021 foi fenomenal ao longo do ano, conseguindo vencer Leclerc no campeonato, feito mais que notável.

No entanto, a pressão de ter um carro de ponta é totalmente nova para Sainz, algo que Leclerc lidou anos atrás. O madrilenho engasga com a situação enquanto a adaptação continua bloqueada por um carro que ele mesmo confessou várias vezes ter dificuldades para dirigir. O acúmulo de coisas se soma e ser piloto da Ferrari, o que obviamente não é uma tarefa fácil. É um ambiente turbulento, sim.

A renovação de contrato no início da temporada foi uma sopro de ar fresco para Sainz, afinal, imagina o tamanho da pressão que estaria agora? No entanto, com aquele voto de confiança que lhe deram em Maranello, o tão crítico consigo mesmo Sainz quer dar o seu melhor. E não está conseguindo. Em Barcelona, assistimos a mais um capítulo de uma novela que não para de se prolongar e que só torna a vida do espanhol mais complicada.

No sábado, a classificação foi notável para Sainz, que voltou a se envolver na luta pela pole. Quase 100 mil fãs o apoiaram nas arquibancadas, era a primeira vez que podia conseguir uma pole, ainda mais em solo espanhol. Muitos tinham a esperança de que isso pudesse acontecer, mas, no final, tanto Max Verstappen quanto Leclerc acabaram quebrando o sonho. Mesmo assim, Sainz foi às entrevistas com cara de esperança e grandes expectativas para o domingo quente em Montmeló. “Vou sair para ganhar”, disse no final das suas palavras à imprensa escrita espanhola, onde o GRANDE PRÊMIO estava presente.

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2

Na mesma coletiva de imprensa, foi bastante honesto ao explicar os detalhes dos problemas de adaptação com a SF-75. “Aconteceu a mesma coisa que vem acontecendo nas primeiras corridas, o carro escorrega muito para o meu gosto. É um carro difícil de pilotar, Charles é capaz de extrair um equilíbrio que eu não sou capaz. Estou tentando adaptar meu jeito de dirigir para que seja mais parecido com o que ele leva, mas ainda não vem naturalmente e é por isso que acaba sendo notado nos décimos decisivos. São coisas que estou tentando mudar e que pouco a pouco dão frutos”, concluiu.

Mas esses problemas de adaptação, essa falta de controle de um carro instável que está dando tantos problemas para extrair todo o seu potencial, foram novamente evidentes no domingo, para a decepção dos mais de 120 mil fãs que o aplaudiram nas arquibancadas. “O objetivo é que, se houver uma oportunidade, aproveitar, como sempre”, disse também no sábado. E ele mesmo não sabia que teria conseguido, não fosse por um começo ruim e uma rodada nas primeiras voltas. O objetivo estaria em suas mãos, uma vitória em Barcelona teria sido mais do que provável se tivesse permanecido em terceiro, vendo Leclerc abandonar devido a uma falha no motor e Verstappen sair da pista e ter problemas constantes com a abertura do DRS.

No fim, se recuperou até o quarto lugar, mas que ficou com um sabor bem amargo. Os fãs continuam acreditando nele, a Espanha continua dando o apoio que merece e todos aqui sabem que tem o talento e o potencial para alcançar grandes coisas na Fórmula 1 e na Ferrari. Mas o tempo voa e a situação continua em uma tendência negativa que leva a um buraco muito escuro, do qual muitos pilotos nunca conseguiram sair. Moralmente, Carlos está derrubado, prova disso foi quando desceu do carro no domingo em Barcelona. O GRANDE PRÊMIO estava à sua espera com a imprensa espanhola para ouvir as suas avaliações pós-corrida e, o espanhol, de cara séria, nem quis parar para dizer nada.

A decepção está dentro dele, um piloto que é conhecido por sua rigidez. Carlos sempre superou situações difíceis, acabou superando grandes pilotos, esteve ao lado de grandes talentos como Verstappen, Lando Norris ou Leclerc. E conseguiu vencer todos eles, uma vez ou outra durante a temporada e até mesmo dois deles em temporadas completas. Quem entende de Fórmula 1 conhece o potencial que há em Sainz, os próprios garotos da Ferrari sabem disso. Mas mesmo a Scuderia deve ajudar psicologicamente, mantendo a pressão baixa e acalmando o madrilenho para evitar mais erros que condicionem corridas como a de Barcelona. Ou o posto de número #2 por lá vai acabar oficializado.

“Foi uma pena, uma prova ruim, do início ao fim, com problemas de equilíbrio, mas, sobretudo, aquela rajada de vento que deve ter me pegado na curva 4 e que eu não soube controlar. Fui para a brita e danifiquei muito o assoalho. Estava correndo com muito pouco downforce pelo resto da corrida e tentamos virar. No final, terminamos em quarto, sofrendo muito ao longo da corrida, mas é o que é” confessou Sainz para a televisão após o GP da Espanha. A frustração era evidente, e a Ferrari está começando a ter também essa sensação.

O GP da Espanha foi um exemplo claro da necessidade de um segundo piloto à altura do primeiro. Está ficando evidente que Sainz está um passo atrás de Leclerc, mas a Ferrari precisa dele mais do que nunca para brigar pelos títulos em 2022. Precisa de um Sainz que, se Leclerc tiver uma falha de motor, como em Barcelona, possa assumir a liderança e acabar levando o carro inteiro para a vitória. A má largada já condicionou toda a corrida, e o erro na curva 4, por mais complexo que tenha sido, jogou ao mar o que poderia ter se tornado um feito heroico para conseguir sua primeira vitória, em casa, na frente de mais de 100 mil pessoas que o apoiam.

Sainz sabe que de arrependimentos ninguém vive neste esporte. A vida continua e a temporada também. A próxima corrida não demora e neste fim de semana chega o GP de Mônaco, onde no ano passado alcançou o primeiro pódio vestido de vermelho. “Sempre haverá domingos bons e ruims, e esta corrida foi uma das piores até agora este ano, mas em Mônaco vamos tentar nos reconstruir”, concluiu o piloto da Ferrari com honestidade. E ele tem razão: tem mais de meia temporada pela frente, tempo para corrigir a situação, silenciar as vozes críticas e mostrar a todos que tem potencial para estar no comando de um carro vencedor. E de que pode vencer e ser campeão, claro.

Mas o tempo está se esgotando, Mônaco será um fim de semana onde o menor erro será punido. E mais descuidos para o espanhol podem começar a cavar um buraco em um túnel sem saída na equipe e na categoria em si. Pode ser uma etapa crucial para Sainz. A Ferrari precisa dele, a Red Bull está lá novamente e já assumiu a liderança do campeonato. Os italianos precisam de uma reação com o espanhol, e desta vez ele tem de administrar a pressão, se adaptar o melhor possível a esse carro e levá-lo para a posição que deveria estar. Ainda dá para acreditar que Sainz fará isso, mas a paciência da Ferrari e dos seus fãs está começando a se esgotar, e seu valor como piloto pode começar a cair rapidamente de um momento para outro.

Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.