Sensores de movimento dos celulares podem ser usados para espionar chamadas

Sensores de movimento dos celulares podem ser usados para espionar chamadas Confira!

Sensores de movimento dos celulares podem ser usados para espionar chamadas

Técnica avançada de ataque usa sensores de movimento dos smartphones para capturar vibrações sonoras durante uma ligação, permitindo espionar chamadas

Sensores de movimento dos celulares podem ser usados para espionar chamadas
Imagem: Reprodução | Divulgação



Uma técnica avançada de ataque utiliza os sensores de movimento de um smartphone Android para espionar chamadas a partir das vibrações sonoras geradas pelo alto-falante superior. Usando um aplicativo que registra as informações dos componentes, os pesquisadores foram capazes de identificar o gênero de quem está falando do outro lado, sua identidade e, em alguns casos, até entender o que era dito pela pessoa.

Ações desse tipo já haviam sido realizadas antes nos alto-falantes inferiores dos celulares, usados em chamadas no viva-voz. A ideia, até agora, era que os componentes superiores, usados próximos ao ouvido, não eram fortes o bastante para permitir uma detecção clara do que é dito em uma chamada; o trabalho, cujo resultado foi chamado de EarSpy, demonstrou que a taxa de acerto dessa exploração, ainda que varie bastante e seja mais baixa, não deve ser ignorada.

Os estudiosos usaram um aplicativo legítimo para Android, o Physics Toolbox Sensor Suite, para registrar os dados de acelerômetros e sensores de movimento durante uma chamada simulada. As vibrações, então, foram processadas e analisadas em busca de identificar o que estava sendo dito, com sistemas de inteligência artificial também sendo aplicados para aprimorar os resultados.

De acordo com o estudo, a identificação do gênero de quem está do outro lado da linha foi obtida com taxa de acerto entre 77% e 98%. Saber quem estava falando foi possível entre 63% e 91% dos casos, enquanto trechos da conversa puderam ser obtidos com uma exatidão de 51% a 56%, de acordo com a condição em que cada ligação era realizada.

Diferentes fatores contribuem para a variação nos resultados. Um volume mais baixo dos alto-falantes superiores, por exemplo, dificulta a detecção exata, enquanto a construção dos celulares e o posicionamento de componentes internos também altera como os sensores vibram sob o som. Nos testes, foram usados os smartphones OnePLus 7T e OnePlus 9, com o segundo apresentando índices de acerto relativamente mais baixos, mas ainda chamando a atenção pelas taxas.

A ideia do estudo é que, em um ataque direcionado, as poucas informações acessadas já poderiam ser relevantes o suficiente para criminosos ou espiões. Os recursos de registro das ondas e vibrações poderiam ser incorporados em um software legítimo, manipulado para que os dados fossem enviados a servidores sob o controle dos indivíduos maliciosos, onde poderiam ser processados em busca de elementos desse tipo.

Os pesquisadores apontam que, a partir do Android 13, os smartphones possuem um sistema de segurança que restringe a coleta de dados de sensores em frequências abaixo dos 200 Hz, mas isso só derruba a taxa de acerto da exploração em cerca de 10%. Assim, a recomendação de segurança é para os fabricantes de smartphones, para que trabalhem no posicionamento de sensores e para garantir que a pressão sonora se mantenha estável durante as chamadas, de forma que os componentes sofram o menor efeito possível a partir delas.

A prova de conceito foi apresentada em conjunto por cinco universidades dos Estados Unidos — Texas A&M, Instituto de Tecnologia de Nova Jersey, Temple, Dayton e Rutgers. O EarSpy é uma continuidade de um outro estudo, que resultou em um app chamado Spearphone que, em 2020, provou ser possível reconhecer chamadas em viva-voz com uma exatidão de 99% para a identificação de quem fala e 80% no reconhecimento do que é dito.

Fonte: EarSpy (Arxiv)

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