Sua empresa fala de diversidade só uma vez por ano? Cuidado

Muitas marcas aproveitam a visibilidade da discussão no mês do orgulho LGBTQIA+ para se promover, mas o consumidor está...

revistabaiacu - 23 de junho de 2022
Sua empresa fala de diversidade só uma vez por ano? Cuidado



Dia do orgulho LGBTQIA+ chegando e bate aquela dúvida: como posicionar minha marca?

Muitas empresas aproveitam a visibilidade da discussão sobre diversidade para se promover, postando nas redes sociais mensagens de apoio ao tema e fazendo campanhas inspiradas nos movimentos culturais. Mas como as pessoas enxergam isso?

O novo humano, como costumo chamar esse momento da nossa espécie, é mais crítico, mais consciente e mais questionador. Prefere se alinhar com marcas que contribuem efetivamente para as causas, rejeitando aquelas que apenas fazem campanhas pontuais com uma bandeira do arco-íris, pois entende isso como oportunismo. Empresas que falam muito e, em essência, não praticam esses valores, correm o risco de serem questionadas e canceladas socialmente. Afinal, não há mais espaço para expor ideias sem ter um retorno das pessoas.

Comunicação hoje é um boomerang: vai e volta, num diálogo contínuo. Então, ao colocar algum discurso no ar, pense bem: “estou praticando isso de verdade?”. O telhado é de vidro, mais do que nunca.
Também é preciso entender que o ser humano é diverso até em ideias e ideais. Isso significa que, para todo movimento que surge com novas visões de mundo e novas discussões de valores (como a diversidade), há um movimento contrário, tradicionalista e arraigado com a sua visão engessada de mundo, não aceitando bem determinados posicionamentos em relação a causas que ferem, de forma preconceituosa, sua visão. E esses são perfis afiados, pronto para reagir a manifestações de solidariedade que vão contra suas normas pessoais.

Nesse sentido, não basta apenas fazer campanhas com arco-íris, é preciso também saber abordar e discutir o tema em profundidade, pois todos que manifestam alguma ideia socialmente, seja ela qual for, estão com a oportunidade de quebrar o ciclo do preconceito. Mas quebrar o preconceito não é uma missão fácil. É preciso estratégias que também vão muito além de conteúdos pontuais. É preciso entender a essência humana.

Diversidade é uma evolução de negócios
O primeiro passo é entender que hoje as pessoas demandam que as transformações venham em grande parte da iniciativa privada e, por isso, estão cobrando dessas empresas atitudes em prol de um desenvolvimento sustentável, em todos os aspectos. Afinal, a população já entendeu que não dá para depender do setor público.

Então, a exigência é grande por parte da sociedade em relação ao papel das empresas na transformação e evolução social. E as empresas que efetivamente constroem iniciativas colaborativas, têm a preferência daqueles que são engajados com uma mudança no mundo. Por mais que não seja a realidade de todas as pessoas, esse é um movimento crescente. Não dá para sua empresa ignorar. E diversidade é parte desse movimento.

Os objetivos da ONU, inclusive, tratam de erradicação da pobreza, melhoria da justiça social, paz, boa saúde, além de metas de energia limpa, sem pobreza, fome zero, justiça social, cidades sustentáveis, educação, igualdade de gênero etc. Tudo isso faz parte de um conceito que é bem forte nas discussões empresariais: DE&I (Diversidade, equidade e inclusão). Inclusive, DE&I é um dos aspectos já considerados para avaliar o S de ESG (termo que se refere a questões ambientais, sociais e de governança corporativa). Para se ter uma ideia do impacto desse momento empresarial, segundo relatório da PwC, 77% dos investidores institucionais pesquisados disseram que planejam parar de comprar produtos não ESG nos próximos dois anos. Ou seja, estar em conformidade minimamente com valores relacionados à diversidade faz parte da evolução de negócios.

Diversidade também é evolução humana
Desde que o mundo é mundo, o ser humano tem uma dificuldade enorme de lidar com diferenças. Temos uma tendência a nos unir a pessoas similares e a rejeitar aqueles que divergem demais das nossas crenças e preferências. E nesse movimento contínuo de buscar fazer parte um grupo e, ao mesmo tempo, se separar de outros, vemos muita disputa por opinião aflorando a agressividade, intolerância e atitudes de ódio. 

A incoerência dessa realidade é que a evolução da espécie humana sempre dependeu justamente das diferenças entre as pessoas, afinal, é com as diferenças que absorvemos novas informações uns com os outros, expandindo para novas habilidades e visões de mundo.

Se todos pensássemos de maneira similar, não teríamos evoluído como espécie.