Totens de Lula, produtos de assentamentos e vacinação: como são os acampamentos lulistas em Brasília

Totens de Lula, produtos de assentamentos e vacinação: como são os acampamentos lulistas em Brasília Confira!

Totens de Lula, produtos de assentamentos e vacinação: como são os acampamentos lulistas em Brasília

Apoiadores que viajaram até a capital federal para posse do presidente eleito encontram boa estrutura e lembrancinhas à venda

Totens de Lula, produtos de assentamentos e vacinação: como são os acampamentos lulistas em Brasília
Imagem: Reprodução | Divulgação



Não são apenas espaços para montar barraca e aguardar até o dia 1º de janeiro para acompanhar a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os acampamentos que os apoiadores lulistas estão hospedados em Brasília é quase um shopping para admiradores do político.

A reportagem do Terra visitou dois acampamentos diferentes neste sábado, 31, e encontrou, além dos acampados, totens para tirar foto, muitas barracas vendendo itens do Lula e produtos de assentamentos, e um pouco de música para ajudar o tempo a passar.

No pavilhão de exposições do Parque da Cidade, é impossível não encontrar o local dos acampamentos, já que há bandeiras, bonés e camisetas à venda logo na entrada. Dentro do espaço, foram instalados dois totens de Lula para os apoiadores tirarem fotos.

Também na entrada, uma estrutura da Secretaria de Saúde do Distrito Federal lembra que o País ainda enfrenta uma pandemia. Na área, é possível fazer teste de covid-19 (por enquanto, sem positivados, informou os funcionários à reportagem) e também se vacinar. Uma funcionária contou que, até o momento, só aplicou doses de reforçou. “Ainda não teve quem precisasse da primeira dose. Todos estão imunizados”.

O espaço conta ainda com mais de 100 banheiros, alguns com chuveiros para banho, local para carregar celular e barracas de comida.

Joana d’arc veio de Cataguases, em Minas Gerais, em um ônibus com outros 44 passageiros. O trajeto durou quase 20 horas, mas, segundo ela, não foi cansativo. “Foi bem divertido, na verdade”, relatou. “Estou amando as barracas de comida. Nós até trouxemos nossa comida, porque não sabíamos o que teria pela frente, mas eu estou indo mais é comer e beber nas barracas mesmo”, riu.

Michelle, que viajou no mesmo grupo, ressaltou o fato de o espaço ser coberto, já que há previsão de chuva esses dias, e segurança. “Tem gente com criança pequena aqui, têm idosos também, então gostei do fato de ter bastante segurança aqui”.

Outro integrante da turma, Fernando aproveitou para comentar o que espera do novo governo Lula, e disse que será “pedreira” com a oposição forte que o presidente eleito deve encontrar a partir do ano que vem, mas que confia na habilidade do político. “Ele sabe conversar com as forças políticas e escalou um ministério de primeira qualidade”.

A conversa terminou pouco depois que músicos começaram a tocar canções que todo apoiador de Lula conhece logo nos primeiros acordes, como “olê, olê, olê, olá… Lula, Lula”. Um grupo se aglomerou e fez uma ronda em torno dos músicos para cantar e gravar a apresentação de última hora. A reportagem flagrou algumas pessoas emocionadas e chorando.

Acampamento restrito

Próximo dali, no Estádio Mané Garrincha, cerca de seis mil pessoas estão acampadas no estacionamento. O local é maior e espera receer até 10 mil pessoas no espaço. Por causa disso, o acesso é restrito. Quem organiza tudo por lá é o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que tem 3 mil integrantes acampados no estádio.

Enquanto a reportagem aguardava uma equipe para acompanhar os jornalistas (“questões de segurança”, disse uma assessora do MST), testemunhamos algumas pessoas querendo entrar apenas para conhecer ou comprar produtos à venda, mas foram barrados.

Lá dentro de fato há algumas barracas de comércios, a maioria do movimento. Em uma delas, Dhonatas de Moura nos recebe. Ele veio de um assentamento no sul do Maranhão e trouxe produtos de lá. “Aqui tem mel e doce de buriti, que são os produtos que mais estão saindo”, detalhou. “Mas também temos azeite de coco do babaçu, farinha de mandioca, arroz e uma novidade: um creme para dores nas articulações feito com o veneno da abelha, saindo por R$ 30”.

Na área do acampamento em si, o tamanho do espaço a quantidade de barracas impressiona; há muito mais gente acampada aqui do que no Parque da Cidade.

Entre os acampados conhecemos seu Divino, conhecido como Pudim, que veio de um assentamento de Piranhas (GO) após uma jornada de oito horas. “Pegamos um pouco de chuva, mas tudo correu bem. Viemos em 32 pessoas, chegamos aqui na sexta-feira. A estrutura é muito boa, tem chuveiro, o pessoal da limpeza sempre organiza tudo, e a comida está ótima. Não é pão com mortadela, é comida de verdade, viu”, brincou.

O grupo viajou com algumas crianças pequenas. Ao ser questionado sobre receio com a segurança, seu Divino foi enfático: “Estamos otimistas e esperançosos de que não terá nada de ruim. O pessoal do Bolsonaro quis fazer medo no nosso povo, mas a gente é corajoso. Essa não é a primeira vez que lutamos pela democracia”.

Outro grupo de acampados, que vieram de Teresina (PI), também trouxeram crianças pequenas. A viagem deles foi um pouco mais complicada por causa de problemas mecânicos com o ônibus. O trajeto, que já não é curto, acabou durando mais de 30 horas, o que não diminuiu o ânimo do pessoal, que chegou neste sábado no estádio.

“Estou aqui banhada já e nada preocupada porque me sinto como se estivesse em família aqui. Hoje será minha primeira noite acampada aqui, mas quem disse que estou com sono. Não estou querendo dormir não, quero aproveitar esse sonho que estou realizando”, relatou Saionara em conversa com a reportagem.

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