Veja quais foram os melhores filmes de 2022, pelo crítico Luiz Zanin Oricchio

Veja quais foram os melhores filmes de 2022, pelo crítico Luiz Zanin Oricchio Confira!

Veja quais foram os melhores filmes de 2022, pelo crítico Luiz Zanin Oricchio

Jornalista do 'Caderno 2' elege seus favoritos, como 'Licorice Pizza' e 'Elis e Tom'

Veja quais foram os melhores filmes de 2022, pelo crítico Luiz Zanin Oricchio
Imagem: Reprodução | Divulgação



Confira a lista que o crítico do Caderno 2 Luiz Zanin Oricchhio preparou com filmes nacionais e internacionais vistos ao longo de 2022. Entre os destaques, o jornalista escolheu ‘Licorice Pizza’ e ‘Elis e Tom’. Confira todos a seguir.

ESTRANGEIROS

De Marco Bellocchio. O diretor volta ao caso do assassinato de Aldo Moro, que já havia tratado em Bom Dia, Noite. Agora o faz de maneira mais completa, complexa e multifacetada, num dos filmes políticos mais impressionantes do nosso tempo.

De Albert Serra. Um filme de estética paradoxal, com Benoît Magimel no papel de um dignitário do governo francês numa ilha da Polinésia, mas que mantém contato íntimo e ambíguo com a população local. Uma espécie de retrato cubista do processo de colonização.

De Arthur Harari. O caso verídico do soldado japonês que não acreditava na derrota do seu país na Segunda Guerra, contado sob uma ótica detalhista e febril.

De Paul Thomas Anderson. Um suposta trama romântica que se bifurca em várias outras histórias e desenha um painel de mentalidade dos anos 1970, com uma homenagem ao cinema embutida. Talvez o filme mais saboroso do ano.

De Xavier Giannoli. Uma adaptação muito acurada de um dos romances mais conhecidos de Honoré de Balzac. Na miríade de personagens, um desenho muito atual das mazelas da imprensa cultural e dos limites da ambição humana, a partir de uma sociedade aristocrática com a francesa do século 19, época da Restauração da monarquia.

De Nanni Moretti. Histórias entrelaçadas de famílias que moram num prédio de três andares em Roma. Exercício sempre inspirado desse cineasta notável, a um tempo terno e crítico em relação à sociedade e seus personagens.

De Alejandro González Iñárritu. Depois de muitos anos trabalhando fora do México, Iñárritu retoma contato com seu país. E o faz através de um alterego (vivido por Daniel Gimenez Cacho),numa espécie de 81/2 asteca. Como na obra-prima de Fellini, Iñárritu mescla realidade, fantasia e alucinação.

De Jordan Peele. O diretor confirma seu talento ao misturar cinema de gênero com crítica social. Aqui, os donos de um rancho de criação de cavalos se veem ameaçados por uma força extraterrestre.

De Saeed Roustayi. Um drama (mas também comédia) familiar, cheio de pulsão, humor e sentido de observação dos personagens. Põe o foco nos interesses contraditórios no interior de uma mesma família, sem deixar de observar o contexto social que incrementa a tensão entre eles.

De Santiago Mitre. Um filme político fundamental para a Argentina e para outros países da América Latina que passaram por ditaduras militares. Ricardo Darín interpreta o promotor público Julio Strassera, que levou ao banco dos réus a cúpula militar responsável por crimes contra os direitos humanos durante o governo militar, entre eles o ex-presidente Jorge Videla.

BRASILEIROS

De Bruno Jorge. O vencedor do Festival de Brasília deste ano acompanha a expedição de contato com os índios Korubo, comandada pelo indigenista Bruno Pereira, depois assassinado junto com o jornalista Don Phillips. Sensorial, introspectivo e comovente, este documentário veio para marcar época em seu gênero.

De Roberto de Oliveira. Estupendo making of de um dos discos célebres da MPB, aquele que reuniu Elis Regina e Antonio Carlos Jobim. Imagens fantásticas, diálogos inusitados entre os artistas e um panorama de época e mentalidade naquele longínquo 1974, quando o disco foi gravado em Los Angeles.

De Adirley Queirós e Joana Pimenta. Ficção distópica de um Brasil no futuro próximo. Mulheres vendem gasolina refinada a partir do petróleo desviado de oleodutos que passam no subsolo. As personagens são interpretadas por elas mesmas, num clima que lembra um Mad Max à brasileira, num país desconcertado e perdido de si mesmo. Porém com uma incrível energia interna que vem de suas camadas mais populares.

De Gabriel Carneiro. Ao focalizar uma família de classe média baixa em Contagem (MG), o filme aponta algumas saídas para a distopia brasileira, uma delas pela via da ternura. Disputa uma vaga na finalíssima para o Oscar de melhor filme internacional.

De Marcelo Lordello. Sérgio (Marco Ricca) é um arquiteto que tenta gentrificar um bairro popular no Recife e ganhar uma fortuna comprando casas dos mais pobres para implantar um resort. Rara imersão do cinema brasileiro na análise da classe dominante e sua mentalidade. Marco Ricca, excepcional.

De Sérgio Machado. Baseado em conto de Milton Hatoum, traz a história de três irmãos (Daniel de Oliveira, Gabriel Leone e Rômulo Braga), que se entredevoram por uma mulher (Sophie Charlotte). Raro filme brasileiro sem complexos de ser hormonal e cheio de paixão.

De Severino. Rejane (Ana Flávia Cavalcanti) retorna à casa de praia onde foi criada para investigar a morte de seu irmão. Filme climático, com muitas camadas de interpretação, explora as relações entre as predatórias classes dominantes do país e o resto do povo. Mesmo sendo crítico, o filme trabalha sem clichês de classe ou raciais.

De Flávia Neves. Fernanda (Bárbara Colen) volta para a fazenda em que foi criada e onde tensões familiares a esperam. Filme muito forte, de vocação feminista e muito bem interpretado por Bárbara Colen.

De Vincent Carelli. O diretor refaz, ao longo de décadas, seu relacionamento de amizade com o líder gavião Krohokrenhum, o “capitão”. Líder carismático e com senso político, o Capitão morreu com mais de 90 anos e deixou um legado à sua gente. Um filme comovente e muito esclarecedor sobre a questão indígena e o relacionamento dos povos originários com os brancos.

De José Joffily. A incrível história do diplomata brasileiro José Maurício Bustani, que foi diretor-geral da Organização para a Proibição de Armas Químicas. O filme mostra como Bustani foi afastado do seu cargo pelos Estados Unidos ao tentar impedir a invasão do Iraque sob o pretexto de que o país de Saddam Hussein teria armas de destruição em massa, o que se revelou falso. Um iluminador mergulho nas trevas da geopolítica mundial e nas forças que a regem.

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