'Xandão veio atrás da gente', diz mulher de pastor preso por atos de vandalismo em Brasília

'Xandão veio atrás da gente', diz mulher de pastor preso por atos de vandalismo em Brasília Confira!

‘Xandão veio atrás da gente’, diz mulher de pastor preso por atos de vandalismo em Brasília

Átilla Mello foi preso na quarta-feira, 28, em São Gonçalo (RJ); para Carina Mello, mandado de prisão é "antidemocrático"

‘Xandão veio atrás da gente’, diz mulher de pastor preso por atos de vandalismo em Brasília
Imagem: Reprodução | Divulgação



RIO – A mulher do pastor Átilla Mello, um dos presos na Operação Nero, usou as redes sociais para protestar contra a detenção do marido. Agentes da Polícia Federal e da Polícia Civil do Distrito Federal saíram às ruas nesta quinta-feira, 29, para cumprir mandados de prisão e busca e apreensão, mas, segundo vídeos publicados por Carina Mello em sua conta no Instagram, Mello foi preso ainda na tarde de quarta-feira, 28, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio.

A Operação Nero mira suspeitos de envolvimento em atos de vandalismo em Brasília, no dia 12 de dezembro, quando o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva foi diplomado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). São 11 ordens de prisão temporária expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os policiais também fazem buscas em 21 endereços ligados aos investigados. A operação ocorre em Rondônia, Pará, Mato Grosso, Tocantins, Ceará, São Paulo, Rio e no Distrito Federal.

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Dois vídeos compartilhados por Carina na tarde de quarta, mas que parecem ter sido feitos por uma outra mulher, que narra as imagens, mostram o que seria o momento da prisão. Neles, aparecem três carros pretos – um deles, uma viatura da PF.

“Aqui ó, o Átilla sendo preso pela Polícia Federal do Alexandre de Moraes. Mais um preso político aqui no Brasil. A gente sabe que esse cachaceiro safado do Lula está mandando cassar todos os bolsonaristas que existem no Brasil. E a PF, que é um puxadinho do Alexandre ‘latrina’ de Moraes, está fazendo todo o serviço. Primeiro, eles vêm à paisana, naqueles dois carros, depois eles levam”, diz a mulher, não identificada, em um dos vídeos.

Nas imagens, Carina aparece conversando com agentes da PF uniformizados. Um homem vestindo camiseta e bermuda azuis, sem uniforme policial, aparece portando uma metralhadora. Em outro vídeo, este gravado por Carina, aparece um homem vestindo bermuda e camiseta pretas, sem uniforme, mas portando distintivo policial pendurado no pescoço.

Outros dois vídeos postados pela mulher de Átilla Mello trazem depoimentos, aparentemente gravados com a câmera frontal do celular. Nos depoimentos, Carina denuncia o mandado de prisão como “antidemocrático”, diz que o marido é “conservador, pai de família e patriota” e apela por ajuda da “direita”, das Forças Armadas e até mesmo do presidente Jair Bolsonaro.

“Brasil, eu quero que vocês saibam que meu marido está sendo levado pela PF aqui em São Gonçalo. Não sei qual é o motivo, mas o Xandão (referência ao ministro Alexandre de Moares) veio atrás da gente. Por favor, eu preciso de ajuda”, diz Carina, num depoimento ao lado de uma viatura da PF.

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No outro depoimento, a esposa de Átilla Mello aparece num carro em movimento. “Acabaram de prender meu marido, por estar lutando pela causa do Brasil, por estar defendendo a bandeira. Cadê o Exército, cadê as Forças Armadas, agora, para soltar meu marido?”, pergunta Carina num trecho do depoimento. “Estou aqui com o advogado, indo para lá agora buscar meu marido. Agora, cadê a direita? Cadê a direita para defender a gente, que estava lutando pelo Brasil?”

Em outro trecho do depoimento, Carina, que se apresenta em sua conta na Instagram como “ativista de direita”, apela a Bolsonaro. “Do que adianta lutar? Cadê você, Bolsonaro? Se posiciona, Bolsonaro! O seu povo está perecendo, está sendo perseguido, está sendo preso por lutar pela causa do Brasil, Bolsonaro! Cadê você, Bolsonaro? Cadê a sua caneta? Agora é a hora de você usar a sua caneta, Bolsonaro! Cadê a sua caneta, Bolsonaro? Meu marido foi preso igual bandido, e bandido ele não é. Ele é conservador, pai de família, é patriota”, diz Carina.

Átilla Mello também usa as redes sociais. Em sua conta no Instagram, há postagens em apoio ao presidente Bolsonaro e questionamentos sobre a lisura do processo eleitoral. “Os mesmos juízes que tiraram Lula da cadeia e o tornaram elegível são os que conduzem o processo eleitoral brasileiro e fazem de tudo para dificultar o trabalho dos militares nas eleições”, diz uma postagem de 26 de setembro.

Pouco antes de meio-dia desta quinta-feira, 29, as publicações mais recentes de Átilla Mello no Instagram eram de 4 de outubro, logo após o primeiro turno da eleição geral. Mais cedo, havia publicações mais recentes, de 2 de dezembro, incluindo vídeos das manifestações em frente ao Palácio Duque de Caxias, sede do Comando Militar do Leste (CML), órgão do Exército no centro do Rio. O local é o ponto de encontro de manifestantes contra o resultado das eleições presidenciais de outubro, onde foi instalado um acampamento, assim como nas cercanias de outros prédios de órgãos das Forças Armadas em outros locais do País.

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